Acontece que, viajei às pressas na segunda feira, e como era o dia dessa pauta, fiquei devendo. Mas como vocês são bem compreensivos, e têm boa imaginação, finjam que hoje é segunda, porque o que interessa mesmo é a crônica!
Então, hoje não teremos o costumeiro Segunda é dia de crônica no PeSP, e sim a sua edição extraordinária:
Quarta é dia de crônica no PeSP (Semana que vem eu volto com a pauta de costume)

Esta talvez seja a maior alegria que posso lhe proporcionar
Ouça, consegue ouvir este som distante? Talvez, em algum lugar, alguém ainda sorria. Talvez ainda esbocem largos risos, felizes com a vida que levam, tal qual não posso mais ter.
Um dia todos somos contagiados pela nostalgia. O palhaço que hoje faz graça, ostentando seu brilhante nariz vermelho, não sabe quão frívolas são essas ações. Tolos são aqueles que sí fazem rir das páginas deste livro seco que é a vida. Guarde os seus dentes. Guarde-os para que não tenha a boca murcha no dia de seu funeral.
A propósito, aproveite a sua felicidade meu caro. Viva intensamente, pois um dia irão privá-lo de sentir o vento nos cabelos, o calor de um olhar apaixonado, o carinho de um terno toque, e seus olhos não mais terão razões para brilhar, tampouco os seus dentes de se mostrar. Mas acalme-se camarada, não se afobe, pois o seu dia há de chegar.
Esqueça tudo o que viu ou ouviu, esqueça a arte. A vida não é bela como o poeta diz, nem alegre como os rostos da tela do pintor. Aliás, nunca acredite nos artistas, eles são tão melancólicos quanto você, e aposto contigo que hão de ser inda mais. Não se deixe enganar pela beleza de suas obras, são só maneiras que encontraram de fazer de suas lembranças de outrora mais que reles impulsos nervosos.
Quer um conselho? Aproveite cada minuto dessa sua frívola alegria antes que lhe privem também disso. Viva cada momento sabendo que, um dia, acabará, pois até mesmo essas palavras vazias já serviram para alegrar. Um dia eu também sorri.




